A última pesquisa do Ibope, recentemente divulgada, deixou bem claro em qual setor o Governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem sido menos eficiente. 51% da população brasileira está insatisfeita com a forma como o governo do presidente Lula trata o setor de saúde. Pior ainda foi o relatório divulgado no mês de agosto pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), que apontou um baixo desempenho da saúde no País. De acordo com o Índice de Valores Humanos (IVH), que tem escala de zero a um (0 a 1), o Brasil atingiu 0,45 na saúde. A avaliação considerou o tempo de espera para atendimento médico ou hospitalar, a facilidade ou não de compreensão da linguagem usada pelos profissionais de saúde e o interesse da equipe médica percebido pelo paciente.
Para o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), presidente da Frente Parlamentar da Saúde, a pesquisa mostra com clareza que faltam recursos para a manutenção do Sistema Único de Saúde (SUS) e a população está enxergando isso. “Essa pesquisa reflete a realidade do cidadão, da mulher que precisa exame de mamografia, do homem que precisa exame de próstata, da criança que precisa vacina. Faltam recursos federais. Os prefeitos se desdobram, os governadores fazem força, mas o Governo Federal não prioriza a saúde”, disse.
Segundo Perondi, os números mostram que os recursos são poucos e que as filas, as dificuldades de atendimento, de internação e de cirurgia, vão continuar existindo se nada for feito.
Dados do Ministério da Saúde apontam que o problema do setor é falta de recursos e não de gestão. De acordo com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), os planos de saúde privados gastam, em média, R$ 1.428 com cada associado por ano. Já a rede pública, que oferece uma gama muito maior de serviços, como transplantes, vacinação e medicamentos de alto custo, por exemplo, tem gasto médio per capita de apenas R$ 675. O valor corresponde a R$ 1,56 por dia. “Isso mostra que no Brasil o setor público não gasta sequer uma passagem de ônibus por dia por cada cidadão”, ressaltou Perondi. Da despesa de consumo final com bens e serviços de saúde no país, 62% são gastos particulares e 38% do poder público.
Em 1995, segundo a Organização Mundial de Saúde, o Brasil estava na 61ª posição em recursos aplicados para cada cidadão. Em 2006, havia caído para a 78ª colocação. O Brasil está atrás de países como Andorra, Catar, Costa Rica, Panamá, Argentina, Chile, México, Uruguai, Chipre e África do Sul. Perondi ressalta que o SUS abrange 100% da população, mas atende 80% como única forma de acesso à saúde. Para isso, consome 3,5% do PIB, enquanto os demais países com sistemas de saúde universais dedicam, pelo menos, 6% do PIB.



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